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TidBITS-pt#378/05-Maio-97

Talvez tenha sido o título atrevido, mas o artigo "Sex Wax Your Browser" (Lubrifique o seu Browser) na edição da semana passada suscitou uma resposta via email surpreendentemente grande da parte dos leitores de TidBITS. Muitas pessoas escreveram pensamentos e variações adicionais às sugestões de Adam. Nessa edição vocês vão encontrar um sumário detalhado do concurso sem vencedor para quebrar a segurança de um Mac web-server, assim como informações sobre o mercado crescente de clones, e informações sobre dois aplicativos que não se importam em fazer pressão.

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MailBITS-pt/05-Maio-97

Sentindo-se Pressionado? PointCast, Inc. e Marimba, Inc. anunciaram esta semana as novas versões para Mac de seus tão comentados receptores da chamada "push technology". O PointCast (somente PowerPC) foi atualizada para a versão 1.0.1, oferecendo seis canais adicionais que incluem o Wall Sreet Journal, TechWeb e o Chicago Tribune. O update também inclui um módulo Control Strip para controlar os aplicativos de rede a partir do desktop. Usuários da versão 1.0 devem receber o update automaticamente na próxima vez que se conectarem, e não precisam baixar o arquivo (3.6 MB para a instalação fácil e 2.6 MB para uma instalação menor). A versão 1.0 do Marimba da Castanet Tuner (também somente PowerPC) permite o acesso aos canais Marimba, e é baseado em Java; a versão de 2.9 MB para download inclui o Mac OS Runtime para Java 1.0.2 da Apple, que é necessário para o Marimba rodar. [JLC]

http://www.pointcast.com/download/dwnmac.html

ftp://ftp.marimba.com/pub/release/mac/tuner.hqx

Desculpas TCP/IP CC -- Minhas desculpas para Tim Kelly e Jeremy Kezer por ter, descuidadamente, incluido a descrição do módulo Control Strip de TCP/IP de Tim quando falava do pacote de módulos Control Strip de Jeremy no TidBITS-376_. A ferramenta "buckware" (custa $1) nao é parte da coleção de módulos Control Strip de Jeremy; ela é um dos muitos bons programas disponíveis na página oficial de Tim Kelly. [MHA]

http://www.madison-web.com/tkelly/



Multidão de Clones

por Jeff Carlson <jeffc@tidbits.com>

Durante anos, um dos principais lamentos sobre o Macintosh foi a falha da Apple em licenciar o Macintosh e/ou o Mac OS para vendedores externos. Agora, os fabricantes de clone do Mac OS como a Power Computing e a Motorola estão possibilitando aos usuários escolher qual o modelo que querem comprar e de qual distribuidor. Aqui, no TidBITS, sempre encontramos dificuldades em manter contato com os produtos Apple (algo exarcebante para a recém falecida linha Performa), de forma que deixamos sozinhos alguns compatíveis fabricados tanto nos Estados Unidos como no resto do mundo. Como resultado temos a tendência de não falarmos, com muita consistência, nos modelos clonados e em seus fabricantes, o que não faz justiça ao novo e rápido crescimento dos hardware compatíveis com o Macintosh. Com isto em mente, apresentamos uma pequena lista contendo os maiores e menores participantes do mercado de Mac clones. Para maiores informações sobre os clones Mac OS, verifique a página de David Engstrom - The Mac and Mac Clone Performance Comparison.

http://ng.netgate.net/~engstrom/cc.html

Power Computing -- Com um status de "avô" se aproximando, o Power foi pioneiro no mercado de clones do Mac OS e deu aos usuários uma razão para acreditar que máquinas não-Apple podiam ser uma alternativa viável. A linha Power de computadores preencheu os baixos e altos mercados finais: um sistema com 180 MHz (603e) tem preço inicial de $1.199,00 (incluindo memória, disco rígido, vídeo, e opções de expansão), enquanto que os modelos PowerTower Pro, topo de linha, permanece entre $2.700,00 e $3.700,00.

http://www.powercc.com/

UMAX -- A linha Umax da SuperMac, que originou-se da Radius, produtora de clones, também atrai uma grande variedade de usuários, por oferecer produtos com preços que variam entre a Série C de custo baixo e sobem até a Série S. A UMAX teve um crescimento forçado com sua linha de produtos: todas as máquinas SuperMac são baseadas num processador de escalonamento avançado (Advanced Scalable Processor Design - ASPD), facilitando upgrades do processador (em vez de substituir toda a placa mãe); e as máquinas S900 também tem a habilidade de rodar com dois processadores.

http://www.supermac.com/

DayStar Digital -- Diferentemente de muitos vendedores de clones que estão posicionando seus sistemas com um apelo a todos os tipos de usuários, a DayStar Digital continua a se concentrar nas multidões de potência pesada com suas workstations contendo multi-processadores Genesis MP. O low end dessas máquinas "big iron" oferece dois processadores PowerPC 604e rodando a 200 MHz, seis drives bays, seis slots PCI, oito slots DIMM (permitindo mais de 1 GB de RAM), e mais, com preço inicial de $ 5.000,00. A DayStar quer dominar as saídas do mercado de produção gráfica, de vídeo e os de produção de mídia, e as poucas pessoas que conheço que já experimentaram suas máquinas não planejam jamais ter que voltar a trabalhar em Macs com apenas um processador.

http://www.daystar.com/

Motorola -- Era apenas uma questão de tempo até que a Motorola, o fabricante dos processadores para o Macintosh desde o 68000, começasse a fabricar os seus próprios clones. A linha StarMax começa com um 603e a 200MHz e os componentes já habituais nestes sistemas (16 MB RAM, 1.2 GB Disco Rígido, CD-ROM), e vai até ao StarMax 5000/300, apresentando um 603e a 300MHz (não o 604e, o qual está disponível a 200 MHz no StarMax 4000/200> com 32 MB de RAM, Ethernet, Zip Drive Interno e 4.3 GB de Disco Rígido. Tal como a IBM, a Motorola poderá sublicenciar sistemas Mac-compatíveis a outros construtores (como a APS) sem a permissão explícita da Apple, e a Motorola também oferece uma garantia limitada de cinco anos com as suas máquinas.

http://www.mot.com/GSS/MCG/starmax/products.html

APS -- Os discos rígidos, cabos e acessórios da APS têm sido uma constante no TidBITS há anos e, por isso, não foi nenhuma surpresa quando a APS anunciou a sua gama M*Power de clones Macintosh, baseados nos designs de CPU da Motorola. Começando com o M*Power 603e180 (US $1,199) indo até ao M*Power 604e200 (US $2,399 para a melhor configuração), a APS oferece uma larga gama de opções de configuração mais um excelente suporte e qualidade de hardware para acrescentar à arena dos clones Mac OS (apesar de uma certa falta de originalidade nos nomes das máquinas).

http://www.apstech.com/

Computer Warehouse -- As máquinas desta companhia baseada no Reino Unido estão equipadas tendo em vista a velocidade e o poder necessários aos produtores de multimídia. Baseados no design das motherboards Tanzania, da Motorola, todas as gamas disponíveis - New York, Manhattan e Hollywood - apresentam os processadores 604e a 200 MHz e começam com 64 MB de RAM, com preços que variam entre as 1500 e as 2000 Libras Inglesas, sem IVA. Os computadores da Computer Warehouse são fabricados em Londres (West London) e destinam-se ao mercado europeu.

http://www.computerwarehouse.co.uk/

Akia -- A Akia demonstrou o seu conjunto de máquinas MicroBook Power na Macworld Tokyo deste ano. O nome sugere clones PowerBook, mas as Akia vêm em modelos tower e desktop baseados nos processadores 604e e 603e e nas placas lógicas sublicenciadas à IBM, todas com um mínimo de 80 MB RAM e 4 MB de video RAM. Interessantes, também, são os monitores que podem ser adquiridos para estes sistemas: todos os monitores da Akia possuem telas planas (flat-panel display). Para adquiri-los, contudo, é necessário deslocar-se ao Japão.

http://www.akia.com/mac/amac.htm

Vertegri Research -- A empresa Vertegri, com sede no Canadá, fez notícia recentemente ao anunciar um portátil Mac OS não baseado nas especificações da linha PowerBook da Apple (visto que estas não se encontram licenciadas atualmente). O ImediaEngine apresenta um 604e correndo a 200 MHz ou a 240MHz, CD-ROM incorporado e, em opção, um drive interno Zip ou Jaz. O que lhe falta, porém, é uma bateria. A Vertegri também oferece o Quicktower 200e, um sistema 604e a 200 Mhz.

http://www.vertegri.com/

Vision Power -- Uma recém-chegada ao mercado dos clones, a Vision Power planeja oferecer duas linhas de máquinas: a PowerExpress, baseada no 603e, e a PowerMax, com o 604e, ambos disponíveis em versão desktop e tower e destinados aos compradores da América do Norte. A companhia, contudo, vem alegando vender clones Mac na Asia desde os finais de 1996. De acordo com as informações publicadas, os modelos topo-de-linha irão ter um encaixe para um segundo processador para as aplicações multi-processador (à semelhança dos modelos UMAX S900), mas poucos detalhes estão disponíveis acerca do assunto. A empresa pode ser contactada via email em visionp@pacific.net.sg.


Um Lubrificante Ainda Mais Sexy para o seu Browser

por Geoff Duncan <geoff@tidbits.com>

Talvez tenha sido o título atrevido, mas o artigo "Sex Wax Your Browser" (Lubrifique o seu Browser) no TidBITS-377 (o qual continha algumas dicas para usar eficientemente os navegadores WEB) suscitou uma resposta via email surpreendentemente grande da parte dos leitores de TidBITS. Muitas pessoas escreveram pensamentos e variações adicionais às sugestões de Adam - Pensei que poderia partilhar algumas dessas sugestões e encaixar algumas das minhas ideias.

Shortcuts, Intranets, & Open Transport -- Neste artigo, Adam escreveu que as últimas versões do Netscape Navigator e Microsoft Internet Explorer permitem o acesso a um site web com o domain name no formato "www.company.com" escrevendo somente a palavra "company" nos campos Address ou Location do browser. Assim, escrevendo "tidbits" nesse campo leva-nos a:

http://www.tidbits.com/

Embora o que Adam descreveu seja típico para muitos utilizadores da Internet com acesso por dial-up ou dedicado, alguns leitores escreveram-nos para dar conta de algumas variações. Escrevendo "tidbits" no campo Address/Location de um browser faz com que, na realidade, este tente primeiro estabelecer uma ligação com uma máquina com o nome "tidbits" no próprio domínio do utilizador. Se o Mac utilizado é isolado (i.e. sem rede), isto não é um problema real: o browser não consegue encontrar tal máquina e então passa a tentar "www.tidbits.com".

Contudo, se está numa intranet de uma empresa ou corporação, pode vir a experimentar um comportamento diferente. Por exemplo, se existe mesmo uma máquina designada por "tidbits" na sua intranet, o seu browser vai establecer ligação com essa máquina em vez do web site da TidBits. Mais, se a sua intranet é grande (ou lenta) o simples fato de procurar na rede por uma máquina local pode demorar um tempo considerável. Alguns leitores mencionaram o fato de seus browsers com frequência apresentar a mensagem de "time-out" antes de completarem a pesquisa da máquina nas intranets da sua empresa/organização e por isso usam sempre um bookmark (ou inserem formatos mais longos de um nome de domínio de um site) para acessar a sites Internet externos.

Se você usa Open Transport, pode alterar o modo de pesquisa dos programas para a Internet. No canto inferior direito do painel de controle TCP/IP, existe um campo designado Search domains (ou Additional Search domains, se o painel de control estiver na função Advanced - você pode selecionar User Mode do menu Edit para alterar as funções). Neste campo você pode inserir os domínios da Internet que gostaria que o seu Mac tratasse como se estivessem na sua rede local.

Por exemplo, eu acesso a Internet pelo domínio quibble.com. Contudo, também inseri tidbits.com como um domínio de pesquisa adicional, logo não tenho que o escrever para acessar qualquer um dos servidores Internet da TidBits. Posso acessar ao web site da TidBits simplesmente inserindo "king" no campo Address/Location, pois a máquina www.tidbits.com também é designada por king.tidbits.com. Esta técnica funciona desde que nenhuma das máquinas da TidBits possua o mesmo nome de alguma das máquinas dentro do meu domínio quibble.com - se eu inserir "www" o meu browser irá ligar preferencialmente ao meu (correntemente inexistente) servidor Web em www.quibble.com.

Os domínios de pesquisa adicional do Open Transport podem revelar-se confusos; por exemplo, sites Internet acessados usando esta técnica de pesquisa de domínios adicional aparecem como se estivessem na sua rede local, de modo que a URL completa no exemplo acima descrito aparece como "http://king/", o que não é o que alguém precisaria no caso de você usar "cut and paste" numa mensagem de email para alguém numa rede diferente da sua local. Domínios de pesquisa adicionais podem também ser lentos se incluírem domínios de grande dimensão (como apple.com) ou domínios lentos. Contudo, uma vez habituando-se a estes domínios adicionais, muita gente encontra utilidade nestes domínios, os quais ainda funcionam com qualquer programa para a Internet - incluindo Anarchie, Fetch e Cyberdog - e não só os principais browsers da Web.

ramBunctious -- A maior parte do artigo de Adam discutiu como montar um volume ShrinkWrap personalizado para manter o cache de disco do seu browser em RAM para melhor performance. Alguns leitores da TidBits escreveram para recomendar ram Bunctious - uma programa RAM de disco em formato shareware e que custa $12 de Elden Wood and Bob Clark - para o mesmo propósito. Como uma aplicação, ramBunctious parece fazer um trabalho decente com discos RAM puros, oferecendo write-troughs ao seu disco rígido para salvaguardar os seus dados, e uma pasta opcional para items que são iniciados quando se monta um disco de RAM no seu desktop. Embora não possa realmente recomendar ramBunctious em substituição ao sempre versátil ShrinkWrap - os discos de RAM somente podem ser usados com o programa ramBunctious ativo (o que consome mais 380K de RAM) que não pode montar ou manipular arquivos disk image, não é scriptable, e tem alguns problemas. ShrinkWrap é grátis para uso não comercial - ramBunctious esteve estável durante o meu breve teste e alguns leitores da TidBits preferem a sua interface à do ShrinkWrap, com o seu diálogo de preferências superlotado. Se necessita de discos de RAM frequentemente e nunca usa arquivos disk image, ramBunctious merece a sua atenção.

http://www.kagi.com/authors/rambunctious/

Cyberdog -- A discussão de Adam sobre o uso de ShrikWrap para o cache do seu browser somente se aplicava ao Microsoft Internet Explorer e Netscape Navigator. Greg Scarich <gscarich@loop.com> escreveu enviando-nos uma dica sobre o uso da mesma técnica com Cyberdog:

"Obrigado pela discussão detalhada sobre como montar uma cache de RAM estável com ShrinkWrap. Levou somente mais um passo para colocá-la funcionando no Cyberdog. Cyberdog não nos permite selecionar a localização de seu cache, logo segui as instruções e manualmente criei uma pasta designada Cyberdog Cache no disco ShrinkWrap, e depois coloquei um alias dessa pasta na pasta de preferências do Cyberdog [que está dentro da pasta de preferências da Sistema - Geoff], substituindo a pasta por outra de mesmo nome"

Descobri que a técnica de Greg funciona bem com Cyberdog 2.0, embora acredite que irá funcionar com versões anteriores.

http://cyberdog.apple.com/

ShrinkWrap & AppleScript -- Finalmente, muitos leitores de TidBits escreveram para dizer que eles estão tirando vantagem dos "scripts" de ShrinkWrap e usando-os para fazer a montagem de imagem em ShrinkWrap para o cache de disco. E depois lançar seu programa favorito para dar uma olhadela na Web, assim que o disco estiver montado.

Suzanne Courteau suzanne_courteau@macworld.com escreve:

"Isto foi publicado muitas vezes em Macworld e outras publicações. Em Abril nós usamos uma Quick Tip ("Efficent Browser") que sugeriu escrever um programa de AppleScript para montar o seu disco de ShrinkWrap RAM, não no start-up, mas quando você estiver pronto para se conectar on-line - embora eu suspeite que depois de ler TidBits-377_, para vocês daria tudo na mesma."

http://www.macworld.com/pages/april.97/Column.3377.html

Suzanne esta' certa: Adam, Tonya e eu possuímos conexões Internet dedicadas, então preferimos usar nossos caches no momento do starup. Contudo, muitos usuários com acesso dial-up a Internet talvez não queiram constantemente desperdiçar alguns megabytes de RAM com o cache. O script descrito na dica da Macworld demonstra como montar uma imagem ShrinkWrap na RAM em seguida lançar o Netscape Navigator, tudo num clique só. Os mesmos princípios podem ser aplicados ao UserLand Frontier, OneClick, e outros programas. Eu também escrevi um AppleScript um pouco mais elaborado que não está vinculado a nenhum arquivo ShrinkWrap ou browser específico. Com um pouco de ambição, poderia ser modificado para funcionar com os arquivos de disco do ramBunctious.

http://www.quibble.com/geoff/hacks/as.html

Esperamos que essas outras dicas dos leitores de TidBITS sejam úteis - tenham bons acessos a Web!



Quebrando a Segurança de um Mac - A História

por Joakim Jardenberg e Christine Pamp <hacke@infinit.se>


[Em TidBits-375_, percebemos o sucesso do desafio "Crack A Mac" realizado na Suécia por dois meses. O concurso oferecia um prêmio em dinheiro - eventualmente mais de $13.000 - para qualquer pessoa que conseguisse alterar o conteúdo de uma página Web instalada num servidor Web Macintosh. A seguir a história do concurso e das configurações do servidor, adicionado a algumas das tentativas feitas para quebrar o sistema. - Geoff]

O que foi feito e porquê -- Na preparação do concurso, nós apenas desempacotamos um Power Macintosh 8500/150 padrão. Instalamos nele uma cópia de WebSTAR 2.0 (um aplicativo popular na categoria de servidor-Mac, da StarNine), fizemos o upgrade para o Open Transport 1.1.2, conectamos a máquina a Internet, e colocamos algumas páginas Web nela. Não fizemos nada de especial com o servidor - não havia firewall, e não tinhamos nenhuma configuração especial de segurança. Todo o processo de instalação levou menos de 30 minutos.

Nós tornamos público o desafio, assim como Hacke (o nome dado ao nosso servidor), via e-mail e através da Web. As informações sobre o concurso saiu também em diversas publicações, incluindo MacInTouch (de Ric Ford), MacWEEK, Wired, TidBITS (claro!),juntamente com várias publicações Suecas e o Wall Street Journal e New York Times. A recompensa inicial do concurso era de $10.000 suecos (kronor, o equivalente a US$ 1.350), mas durante o processo conseguimos aumentar o valor do prêmio algumas vezes, graças a alguns revendedores Apple da Suécia. No final, a recompensa era de $100.000 suecos, o equivalente a US$ 13.500.

Por que nós fizemos isso? Queríamos provar que existe uma alternativa para as caríssimas e grandiosas soluções para servidores Web baseadas em Unix e Windows NT. Uma solução que não leva horas para ser configurada, ou que precisem de uma firewall. Não estamos tentando provar que a solução em MacOS é a certa para todos, mas sim que é uma solução ideal para muitos de nós. Queríamos provar que o Mac é um sistema pronto para funcionar e que permite segurança e confiabilidade, tudo isso podendo ser feito em menos de 30 minutos. Já que ninguém conseguiu ganhar o prêmio, acho que conseguimos provar nosso ponto de vista.

Para obter mais informações sobre o concurso, suas regras e perguntas que apareceram durante o processo, visite o própio Hacke.

http://hacke.infinit.se/indexeng.html

As melhores tentativas -- Nos primeiros estágios do desafio, os visitantes buscavam explorar recursos de segurança conhecidos do Unix. Percebemos que as matérias que traziam novos problemas de segurança para o Windows NT também davam inspiração as pessoas, que tentavam utilizar essas técnicas no nosso servidor. A cada artigo publicado com os problemas do NT, uma nova onda de tentativas de quebra atingia Hacke. Muitos hackers pareciam acreditar que o NT e o Mac OS tem alguma coisa em comum. Nem precisaríamos dizer que Hacke nem respondeu a esses ataques.

Os aspirantes a crackers também se esforçaram bastante em adivinhar a senha para pi_admin, a identidade utilizada pelo WebSTAR 2.0 que permite aos webmasters gerenciar algumas funções remotamente. Ocorreram mais de 220.000 tentativas de se adivinhar o username e a senha, mas nenhuma delas teve sucesso. Mesmo se alguém tivesse conseguido quebrar a senha, essa pessoa ainda não seria capaz de mudar o conteúdo do servidor, já que isso é simplesmente impossível a um pi_admin que utilize o conjunto de plug-ins do WebSTAR que havíamos instalado.

Quando adivinhar a senha do pi_admin se tornou comum, os crackers tentaram quebrar a máquina através da utilzação do nosso serviço DNS, com o objetivo de mover Hacke para um outro número IP, e então alterando o conteúdo do servidor. Mas como o nosso serviço DNS (Men&Mice's QuickDNS Pro) também estava rodando num Mac, estas tentativas estavam fadadas ao fracasso. O percentual de sucesso não foi maior para aqueles que tentaram entrar no Hacke através do nosso servidor e-mail; ele também estava rodando em Mac OS, então não havia a possibilidade de se usar o programa do Unix sendmail.

http://www.miceandmen.com/products/quickdnspro/

Cansado de todos os servidores Mac, os pretendentes a crackers tentaram achar alguma coisa em nossa rede que não fosse baseada em Mac. A única coisa que encontraram foram os roteadores. Felizmente, eles eram seguros, mas quebrá-los poderia nos trazer problema, pois poderia tirar parte ou até toda a nossa rede do ar. A pergunta é: será que isso poderia ser contabilizado como um hack, dando direito ao prêmio? Atacar um roteador somente iria demonstrar um problema de segurança de nosso provedor, e o concurso visava a alteração de páginas Web. No final, dependeria do sucesso dos ataques aos roteadores, mas nenhum teve sucesso.

As tentativas mais criativas ocorreram próximo do fim do prazo final do concurso, quando as pessoas perceberam que elas precisavam de uma solução diferente. O melhor ataque pode ser caracterizado como pura engenharia social.

Começou quando <christine@infinit.se> recebeu uma mensagem e-mail aparentemente enviada por <joakim@infinit.se>. A mensagem pedia que Christine trocasse o texto da página principal de Hacke pois "eu estava sem tempo para fazê-lo". Acho que teríamos percebido de qualquer jeito, mas o que nos chamou bastante a atenção foi o fato da mensagem estar em Inglês, sendo que usamos o Sueco para nos comunicar normalmente.

O invasor seguinte foi um Norueguês que dizia ter quebrado a segurança de Hacke, mas havia sido expulso do sistema antes de terminar. Ele não podia provar que havia estado lá mas nos ameaçou caso não recebesse o prêmio. Ele até nos chamou e disse que tinha 3.000 testemunhas já que ele havia alcançado o feito num telão em um conferência na Noruega. Entretanto, nenhuma prova ou testemunha apareceram.

No último dia do concurso recebemos e-mail's de duas pessoas que pareciam ser educadas e prestativas. Eles nos contaram que haviam descoberto informações que poderiam nos ser úteis. Os arquivos em attach pareciam ser documentos, mas na verdade eram AppleScripts que poderiam trocar a página principal de Hacke, se tivessem sido disparados do servidor. Foi fácil perceber, mas foi uma ótima tentativa! Quem escreveu o script provavelmente sabia que não teria sucesso, pois em meio ao código encontramos a frase: "Ratos! Não vamos ganhar os $13.000 hoje."

Performance e confiabilidade -- É sabido que o Mac OS é ainda sensível aos ataques de "Ping of Death", e nem o OpenTransport nem o WebSTAR tem funções para prevenir um ataque SYN. O último não nos atingiu, e o Ping of Death parecia não ter muita eficiência em derrubar nosso servidor (Hacke foi derrubado por Ping of Death três vezes). Já que a idéia era conduzir o concurso num ambiente de fácil configuração, não tentamos nos defender desses ataques. Ao invés disso, instalamos os programas shareware muito usados Keep It Up e AutoBoot para reinicializar o servidor automaticamente em caso de crash.

ftp://mirror.aol.com/pub/info-mac/cfg/keep-it-up-131.hqx

ftp://mirror.aol.com/pub/info-mac/cfg/auto-boot-15.hqx

Nossa filosofia era de que travar um servidor Web que iria dar um reboot e estar funcionando de novo em menos de 1 minuto não deveria ser um problema tão sério quanto uma alteração de conteúdo de uma página Web. Por exemplo, é extramamente mais sério para uma empresa chamada Telia (a empresa de telecomunicação Sueca) sofrer uma alteração da homepage que troque seu nome para "Felia" (que em Sueco significa "alguma coisa constantemente feita errada") do que ter seu site desligado temporariamente.

Adicionalmente, o servidor Macintosh era incrivelmente confiável. Conforme mencionado acima, ele só caiu três vezes, e em todas elas a causa era o Ping of Death. Já esperávamos isso. Essa confiabilidade foi também demonstrada por outros de nossos servidores - Web, Mail e DNS - que foram expostos a ataques durante o concurso. Além disso, a performance do servidor nunca foi problema. Mesmo Hacke estando sempre muito ocupado (com mais de 50 conexões simultâneas) ele só enviou uma mensagem de "busy". Alguns participantes tiveram problema ao se conectar, já que estamos localizados no interior da Suécia e a nossa conexão para o mundo é de 64 Kpbs. Além disso, os usuários de outros continentes certamente tiveram problemas de conectividade só para chegarem ao nosso servidor.

Algumas Estatísticas -- Durante os dois meses de competição, as páginas em Inglês e Sueco de Hacke registraram mais de 650.000 hits, e mais de 100.000 endereços IP diferentes foram logados. O servidor enviou mais de 8.000 MB de informação. Aproximadamente 75% dos visitantes vieram dos Estados Unidos, 20% da Suécia e o restante de outras partes do mundo. Muitas companhias e organizações demonstraram interesse - registramos muitos visitantes da IBM, Hewlett-Packard, Cray, Digital, SGI, Novell, Boeing, AT&T e Netscape. Além disso, a NASA e o exército Americano também estiveram bastante presentes.

O Próximo Passo -- Hacke não vai desaparecer. Pretendemos anunciar novos concursos utilizando configurações mais anvançadas, para atender as críticas feitas ao Macintosh como uma plataforma Web-server (incluindo a capacidade de lidar com vários domínios, administração remota, alta interatividade, acesso a banco de dados, e assim por diante). Precisamos contactar patrocinadores, definir um conceito estável e interessante, e garantir que todas as críticas tenham resposta. Nós também precisamos voltar a nossos trabalhos de verdade: não recebemos nada durante os meses dedicados ao concurso. Gostaríamos de lembrar também que esse concurso não está vinculado a Apple Computer. Nós só sentimos que temos uma visão que deve tornar possível a mais organizações dar um próximo passo em direção a Internet.


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